O filme pronto pra rodar, o caderninho e caneta em mãos prontos pra guardar 1 hora e meia do puro discurso filosófico. “Waking Life”, segundo a sinopse, contava a história de um homem que a partir de um momento, não consegue mais acordar de um sonho.
Sonhos fascinam. Não há nada tão intrigante, tão curioso e ao mesmo tempo tão estranho do que um lugar onde se é capaz de praticamente…tudo. É estranha a complexidade do ato, o sentido de obrigação e de propósito dentro de um sonho sem que exista a responsabilidade real, do dia a dia, a ser cumprida. É como se os sonhos guardassem um propósito maior do que a própria existência material.
Aqui tudo é denso, tudo é dinheiro, tudo é padrão, tudo despenca na responsabilidade de alcançar o sucesso e adquirir poder. Lá, uma sucessão de acontecimentos aparentemente sem relação ou sentido algum à realidade, tem em si um movimento a algo mais, algo maior. Os sonhos são algo mais, uma experiência única, o encontro da racionalidade material com o imaterial, com a alma.
“O segredo é combinarmos as habilidades racionais da vida desperta com as possibilidades infinitas de nossos sonhos”
Seria o ato de sonhar tão simples quanto a ciência explica -“Apenas um resumo do nosso dia, uma junção de fatos”- quando o ato de sonhar por si só é praticamente uma vida a parte, um corpo a parte, recebendo influências do aqui e agora, mas também utilizando tudo o que já foi. Uma existência constante, não influenciado pelo espaço, menos ainda pelo tempo e por isso mesmo capaz de atos absurdos. Um corpo emocional, puro sentimento, puro desespero, amor, paz, felicidade. O sonho como memória, a lembrança coletiva, o motivo de já nascermos com a capacidade de amar e ter medo, o instinto inato a todo ser vivo, o mais próximo que chegamos da eternidade todos os dias.
“Então aqueles 6 a 12 minutos de atividade cerebral podem ser a sua vida inteira. Você é aquela velha, olhando para trás e vendo tudo.”
Morrer aos poucos. Presenciar a morte de perto. Vivenciá-la. A cada noite de sono, a cada sonho, na verdade um preparo pra morte. E a morte, o sonho eterno.
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